18 de novembro de 2017

AS COISAS DOS OUTROS

"O tempo dele
Do bacalhau. Há muito que o deixei de comer em restaurantes. Os maus fazem-no mal, os arrepenicados usam o fresco. Sim, já quase não há seca natural, o de cura amarelo é muito caro, vamos ao vulgar de Lineu:
1) A compra.
Seja onde for, o bicho deve ser como um velho beirão : seco, rijo e feio. Dobre o rabo: quanto mais resistir, melhor é o gadídeo. Os pequenos não interessam a ninguém.
2) A demolha. É o processo vital. Todos os erros começam aqui.
Separe as peças ( lombos, asas e rabo) e lave-as do primeiro sal. Depois a 1ª demolha em água fria consiste em três mudas em sessenta minutos. A seguir, frigorífico e mais três demolhas em 24 horas. O processo deve ser rápido e frio. Isto não é sexo, é bacalhau.
A peças grossas por cima, as magras por baixo, como é óbvio.
Antes de terminar, namore com o bicho. Tire uns fiapos crus e prove. O seu gosto pessoal do salgado é que manda. Eu gosto dele bravo.
3) Se para bolos, pataniscas, à Brás e à Gomes de Sá deve ser usado cru, como qualquer alfabetizado sabe, para outras vitualhas ( a bem dizer, poucas) impõe-se o tratamento térmico. Nunca cozer. Nunca cozer. Nunca cozer.
O peixe já foi salgado e seco. Precisa tanto de cozer como o Benfica precisa do Eliseu. Pôr água ao lume e quando ferver desligar. Enfiar lá a posta, tapar e esperar entre 20 a 30 minutos ( consoante a grossura da coisa).
Se quiser o céu, encha uma panelinha de barro com azeite, um dente de alho e um ramo de carqueja. Enfie o nosso amigo lá dentro e dê-lhe duas horas em forno baixíssimo ( 60º) ."

Um bem haja ao Filipe Nunes Vicente, que escreve estas (e outras) delícias no seu blog MÁ CONSCIÊNCIA.

17 de novembro de 2017

A MANHÃ

Estou viva. Que sorte.
Ainda ontem me emocionei com o simples facto de estarmos todos vivos e de saúde, vivendo a nossa vida calmamente, quase como se deslizássemos num espelho de água, sem fio de vento, sem nada.
Não estou mais gorda e a miúda cresce a olhos vistos. Está com o cabelo enorme, forte e saudável.
Impõe-se um corte valente, sob pena de gastos excessivos em shampoo e no tempo que se leva.
Dançava hoje em frente ao espelho, no seu fato de treino demasiado curto para as pernas, indiferente aos minutos que se acumulavam e encarniçavam à porta para saírem para a escola. O tempo é o que mais nos custa.
Há quanto tempo não danço?
Vivo na luz boa de Lisboa e o inverno está especialmente luminoso.
Saímos para a rua, muito agarradas uma à outra, porque é assim que tem de ser.
A comida da cantina está cada vez pior, mamã, os douradinhos de ontem foram os que sobraram da semana passada.
Gosto que me chame mamã.
Para que servem as mães? Foi a pergunta do caminho. As mães servem para ensinar as regras da vida, para dar mimos, e para explicar que não se devem levantar falsos testemunhos, nem mesmo contra os douradinhos.
Impõem-se um corte valente nos disparates da infância.
A escola, imponente e rodeada de árvores frondosas, é um deleite para a vista e um descanso para o coração. Parei um pouco para ver o casario, recuperado e pouco respeitador da traça antiga, e senti-me em casa.
Estou viva. Que sorte.
Posso caminhar ao longo da estrada e sentir de novo o sol nos cabelos.
Será isto a felicidade? 

16 de novembro de 2017

POR FALAR EM LAMBER

Chegou finalmente às livrarias portuguesas o Best Seller de Paula Bobone, intitulado Domesticália.
O preço do invulgar e raríssimo artigo rondará os 15,00€ e já faz as delícias de uma franja muito significativa de Senhoras da alta sociedade que usam aquela boquinha de cu-de-galinha para se exprimirem nas festas sociais, enquanto afagam uma marta que vem sempre pendurada no pescoço.
15,00€, um valor muito aquém daquela que é já considerada 'a' obra deste nosso Sec. XII e uma relíquia literária de grande ambições, já teve algumas criticas mais mordazes, pelo que a autora já pondera aumentar o preço para uns magníficos 1 115,00€ para assim-sim, ser passível de ser comprada pela elite interessada na domesticação dos seus escravos empregados domésticos.

É já considerado como extremamente útil entre as donas de casa, especialmente as que optaram pelo sexo masculino no que toca ao serviço doméstico, e na festa de lançamento pôde ouvir-se aqui e ali frases determinantes na consagração da obra, como sejam: "sabe lá a dificuldade que é ensinar ao meu domesticado que deve manter-se vestido enquanto me limpa a canalização!" ou "desde que comprei este livro, lá em casa já ninguém tira as meias para fazer certos serviços. Há que manter a tradição e uma certa elegância."


Lambuzem-se aqui!

LAMBE-LAMBE

Uma das minhas máximas preferidas nisto do trabalho e das relações laborais é: don´t kill yourself for recognition.
Vem muito a propósito do assunto da greve dos professores, que é capaz de ser o tema mais quente em debate por estes dias, e por todos os dias, e sempre, porque há um ódiozinho de estimação contra os professores, por um lado porque fomos todos alunos de professores (muito bons, bons, maus, horríveis e indiferentes, que nos deixaram memórias e cicatrizes) e por outro, porque uma greve de professores causa mais choque do que enfermeiros que se negam a ajudar as parturientes a dar à luz.
É que vejamos: a criança nasce na mesma. Nasceram triliões de portugueses sem ajuda de ninguém, logo é mais complicado gerir a falta dos professores numa família que se encontra diariamente enterrada nos afazeres profissionais, que dá o cuzinho e dois tostões para não faltar um dia ao emprego por mote de ser imediatamente depreciada perante outros colegas, do que a falta de uma mão amiga na hora do parto. 
E estava eu a comentar aqui para os meus botões, também eles enterrados nas casas duma trincada camisa, que há quem defenda que os professores, esses lambões das férias, não deviam fazer grave porque coitadinhas das criancinhas!
Não. Não é coitadinhas das criancinhas, é coitadinhos dos paizinhos das criancinhas, ou antes, coitadinhos dos patrõezinhos dos pais das criancinhas.
Fora a questão muito particular que é a dos patrõezinhos absolutamente tétricos, que não têm complacência de nos vergastar severamente com o desconto salarial - também ele tenebroso - só porque uma classe que nos é completamente alheia a nível profissional resolve fazer greve - o que está efetivamente em causa é que nenhuma classe profissional ainda entendeu a luta dos professores, porque pura e simplesmente não sabe como é a vida dos professores. 
E não sabe como é a vida dos professores como também não alcançou que um professor decrépito, sem interesse e sem motivação, produz muito maus alunos, e logo, muito maus cidadãos. Um professor deve estar altamente motivado para ensinar os nossos filhos a pensar. Ensinar a ler e a perceber o que se lê é a base de toda a evolução. O saber pensar metodicamente, o ensinar a motivação do saber é o que em última instância nos salva a todos.
Porque os professores (os bons professores) também nos ensinam os DIREITOS, LIBERDADES E GARANTIAS. 
Não foi em casa que aprendi o que era a Constituição, o que vinha lá escrito, que significado tinha. 
Os meus pais estavam mais preocupados em trazer o sustento e o amor, o ordenado e uma palavra amiga, do que os artigos que compõem os direitos fundamentais. Foi na escola que fiquei a saber o que era a greve, o Sindicato e os maus tratos nas fábricas (onde de resto a minha mãe trabalhou 21 anos sem um queixume) e nos demais postos de trabalho onde hoje ainda somos carne bovina na mãos de verdadeiros chefs talhantes.
Fico muito contente quando vejo a comunidade contribuir do nada, ou antes, das suas parcas economias, com 13 milhões de euros num número de telefone 760 360 260 para ajudar 500 pessoas. Mas fico imensamente mais contente quando alguém contribui com um dia do seu ordenado para uma causa que é afinal de todos.

O direito à greve não deve nunca ser contestado, sob pena da regressão às más condições de trabalho que tanto nos custaram a conquistar.
Muito menos para andar a lamber botas de patrões que não nos merecem nada, que não nos reconhecem nada, muitas das vezes nem o direito ao emprego.
    
  

13 de novembro de 2017

PANTEÃO (INTER)NACIONAL

Não que eu seja uma daquelas enfermiças agarradas às missas, mas acho que realizar um evento comemorativo no Panteão Nacional, não é uma coisa muito iluminada...
Não sei se é de mim, que não gosto e não me identifico com a temática do Halloween, mas jantar à luz de velas bruxuleantes, num local frio, onde estão vários corpos sepultados, não é de todo a minha praia. Não me é adequado.
Fora esta opinião, que é totalmente pessoal e cultural (em bom rigor é mais cultural do que pessoal), não vejo com maus olhos a mercantilização dos nossos monumentos, porquanto geram receitas, postos de trabalho, movida aos locais de implementação, e ajudam na preservação do nosso património cultural.
Exaspera-me mais uma certa opinião esclavagista e de oportunidade política, que se indigna com a profanação dos locais de culto, mas que não se coíbe de realizar o casamento da filha na Igreja dos Jerónimos, toda ela um cemitério só, ou de fazer, no mesmo local, faustosos jantares para os amigos do partido.

O Panteão Nacional é  um monumento que é visitado anualmente por milhares de turistas. É um negócio que é assumidamente isso mesmo: um negócio. Se entretanto alguém assumiu isso de forma mais arreigada e colocou preto no branco aquilo que estava na zona cinzenta, qual é a grande questão? Que no horário diurno o turistas americano pode enfardar o hambúrguer que leva escondido na mochila, mas depois à noite já não pode lá jantar?

Não consigo entender a diferença entre cem pessoas a jantar no Panteão, e depois milhares de pessoas no cemitério do Lumiar, numa grande festa, aquando do funeral do Eusébio, pisando sepulturas, partindo lápides, cantando hinos de turba claqueira, bebendo cervejas e vinho, importunando os mortos (e os vivos).
Está claro que a maioria dos indignados, sobretudo os da classe política, andou feliz e contente a  passear com a turba excursionista  no cemitério Père Lachaise, onde tirou milhares de fotos aos túmulos de figuras icónicas tais como Jim Morisson e Oscar Wilde, e trincou dois ou três croissants sentados nas escadinhas dos jazigos de Marcel Proust, Amedeo Modigliani ou Auguste Comte.

Eu fico (um bocadinho) mais zangada, e como bem apontou o Rui Tavares no Público, por saber que um Aristides Sousa Mendes jaz em local que não dignifica, nem de perto, as tantas vidas que salvou, mas que um Eusébio, esse que levou milhares a um cemitério como se fosse um grande evento desportivo, foi transladado para o Panteão 2 anos após o seu falecimento, quando por exemplo a nossa maravilhosa Sophia esperou 10 anos por esse reconhecimento.

Prioridades.

10 de novembro de 2017

OS PEIXINHOS DO TEJO

São tudo mentiras.
Não há praticamente nenhuma notícia que seja veiculada pela comunicação social, em jornais ou na televisão, que seja totalmente verdadeira e assente em factos!
Nada.
Uma pessoa abre um jornal qualquer, de grande ou média tiragem, de nome ou renome, uma chafarica, um pasquim ou uma trampa com letras, e não consegue absorver a atualidade tal e qual como ela é. Não consigo ler uma única palavra que escreva o Expresso, uma notícia que passe no Público, que não fique imediatamente de orelha fita, desconfiada porque nem dois minutos depois já está a mesma envolta em controvérsia, ou alvo de notícia na página (espetacular, diga-se) dos Truques da Imprensa Portuguesa.
Ler notícias tornou-se um tédio e dá o triplo do trabalho que me dava há 10 anos. Primeiro lemos a notícia, e depois temos de ir perceber se é verdadeira ou falsa. Se for falsa temos de ler novamente a mesma notícia, esperar que seja finalmente a verdadeira.
É uma aprendizagem tripartida, troikana, tricéfala.
É o horror da matemática aplicado às letras, é fazer uma conta e ter obrigatoriamente de fazer a prova do nove, porque meus amigos, às vezes lemos 9 vezes a mesma notícia e em nenhuma podemos confiar.

Há dias entrou-me pelos olhos uma deplorável imagem do Tejo, que mostrava milhares de peixes mortos.
Foi uma carnificina imensa que se seguiu à publicação daquelas imagens. Que as fábricas da celulose matavam a vida no rio (quais? todas? algumas? uma? who cares!), que o rio estava podre, que isto e aquilo, uma desgraça franciscana.
Vai-se a ver e afinal os peixes são alburnos. Ora alburnos são uma espécie invasora, uma praga, e que compete com as espécies instaladas, saindo normalmente vencedora devido ao seu insaciável apetite. É um adversário sem escrúpulos e sem coração. A recomendação é que não se proceda à sua introdução em mais nenhuma massa de água, uma vez que contribui de forma activa para a diminuição drástica de muitas das espécies autóctones.
Ahh, mas isto não tem nada a ver com o facto dos peixes aparecerem mortos, diz o leitor incauto.
Claro que não, mas atentai às características do referido ciprinídeo, que além do mais não é originário do rio Tejo, logo não está preparado biologicamente para algumas partidas mais agrestes do rio ou da natureza: como o rio está superlotado (há de tudo um pouco desde achigãs à ameijoa japónica) e tem atualmente pouca água devido à seca mortífera que se faz sentir, há pouco oxigénio para todos. Ora aqui está a/uma explicação.
Mas não, que a culpa é das celuloses, essas sacanas que matam tudo.
Mas não, que a culpa é das celuloses, mesmo que não se veja nas imagens outros peixes mortos que não sejam os alburnos.
Mas não, que a culpa é das celuloses, mesmo que não se veja nas imagens a água leitosa e nem qualquer outra espécie.
Mas não, que as celuloses matam seletivamente algumas espécies....
Mentira, as celuloses investem milhões na purificação das águas. Têm dinheiro para isso e para muito mais, e investem. Ao contrário do que se pensa, ou do que se veicula para que se pense, nunca as águas estiveram tão limpas, e podemos agradecer ao trabalho das celuloses.
O que mata os peixes, além destas situações ambientais intransponíveis pela ação humana, são afinal as descargas dos pobrezinhos das suiniculturas, vacarias e outras produções animais, que trabalham no limite, esganadas e esmagadas pelos preços de mercado, sem conseguir investir em mais nada a não ser no pratinho que põe na mesa lá em casa, e nos imposto que pagam aos magotes ao Estado que tudo come.
Mas as falsas notícias vão saindo e vão também esmagando e esganando a minha paciência.

Será mesmo que todos os jornalista que se prestam a dar notícias verdadeiras estão sendo  direcionados para a extinção tal como os peixes autóctones do rio Tejo?
Who Cares?

9 de novembro de 2017

DA SEMELHANÇA

Não somos diferentes dos outros.
Somos todos humanidade.
Pode haver quem por força das condições de vida, ou condições intelectuais, se torne menos humanizado, ou um humano de qualidades superlativas, mas no fundo somos todos um punhado de soldados feitos de uma peça só.

Acontece que não é para este modelo de heterogeneidade que caminhamos, aliás, a maior parte de nós faz de tudo um pouco para ser diferente, muda de penteado, deixa crescer a barba, escreve posts inteiros sem usar uma única letra maiúscula.
Artistas, dizem.
São explosões de personalidade desencaixada, que não gosta do sistema, que parte serviços de loiça inteiros, desses que percorrem várias gerações na família, só para se distanciar daquela que não é mais do a Natureza dos homens, a natureza que nos impele a sentar à mesa ... e comer em pratos.

Eu também já quis ser diferente.
A diferença é uma coisa boa quando corre bem, quando conseguimos ser diferentes por um período de tempo que nos permita um mínimo de felicidade - e um mínimo de adaptação à nova funcionalidade que passamos a ter no mesmo sistema de sempre. Acontece que a normalidade da diferença avança desenfreada e logo depois, pouco depois, se nos atentarmos à velocidade que todos imprimimos à nossa vida, logo depois, dizia eu, a diferença é clonada e passa a moda.

Interessa depois correr para fora da moda. O vulgar da moda, que é estar na moda, é isso mesmo, vulgar. E a vulgaridade rompe os estigmas, e torna-se algo diferente o ser igual.
Acontece que depois, e porque todos nós somos humanidade a querer fugir do vulgar, acabamos todos exatamente no mesmo sítio.
Na extrema vulgaridade de sermos todos diferentes.
Lutando por sermos aceites pelos que nos são iguais.
 













@Photographer Stefan Draschan visits museums around Europe to see not just the artwork but the people observing the artwork.

ONDE HÁ FURNAS HÁ CALOR!

Há cerca de vinte anos, numa altura em que ainda vivia em casa dos meus pais, naquela vidinha mole que me dava tempo para tudo - incluindo estar sozinha em casa a ver programas escolhidos por mim - via alguns talk shows.
Lembro-me perfeitamente de estar a ver um desses programas, no caso a Oprah, e aparecer um senhor muito engraçado, com uma forma de comunicar muito escorreita: o Dr. Oz.
Este Dr. Oz falava sobre o envelhecimento da pele, sobretudo o envelhecimento da pele da cara e pescoço, e durante cerca de 1 hora falou acerca desta temática, mostrando vídeos, exemplos, e imenso material, que detonava qualquer teoria sobre a utilização de produtos para manter a pele jovem. A partir daquele dia e intermitentemente, este assunto tem-me vindo à cabeça, sobretudo pelo facto irrefutável de que estou a ficar com a pele num lindo estado.
Na altura, com 20 anos e uma pele de meter inveja a qualquer moça de 40, não estava muito virada para as preocupações da idade; era imortal, e imortal era igualmente a minha pele.
Só que não.
O médico, que veio a tornar-se muito conhecido precisamente porque era bom e dizia coisas boas, transmitiu ao vastíssimo público que o seguia na Oprah, que o grande erro das mulheres (falava sobretudo para as mulheres) era essencialmente um único: lavar a cabeça em primeiro lugar.
Essa agora!
Toda a vida lavei a cabeça primeiro. Tenho aliás essa premissa impregnada, porque se não fico ali um bocado com a máscara no cabelo (enquanto esfrego as vergonhas), no final do duche em vez da minha farta cabeleira, tenho um ninho impossível de pentear.
Dizia o médico que os produtos tóxicos do shampoo se entranham na pele, primeiro através do coro cabeludo, descendo depois para a cara e pescoço, impercetivelmente e impertinentemente, provocando danos irreparáveis e envelhecimento precoce, sobretudo porque os elementos tóxicos provocam distúrbios no metabolismo da pele e aceleram a perda de colágenio, favorecendo a flacidez.
E isto tudo mesmo depois do cabelo seco!
Dizia ele que se lavássemos a cabeça em último lugar (vejam bem a elevação desta técnica com 20 anos e tão atual!) além de demorarmos menos tempo a fazê-lo (porque já gastámos o tempo mais descontraído a lavar o corpo e ficamos com a sensação que o [tempo] que nos resta é muito menor), o shampoo fica menos tempo na cabeça (só o tempo de esfregar e retirar o produto), e como já estamos lavados e enxaguados no corpo não vamos querer que o produto escorra novamente para o corpo e naturalmente inclinamos muito mais a cabeça para trás.
E foi isto esta excecional informação que eu retive durante 20 anos na minha cabeça, além claro, de 20 anos de produtos tóxicos, quiçá já bisnetos e trinetos desta malta merdosa que nos leva a juventude!
Obviamente que todos nós lavamos a cara no banho, a maior parte das vezes com outro produto tóxico, mas ainda assim, seria necessária uma limpeza profunda da pele depois do banho para nos livrarmos totalmente desses componentes que ficam alojadas dias e dias, semanas, meses, anos sem fim, na cara e no pescoço.
Onde há Furnas há calor... será?

(Agora vem aqui uma batelada de gente dizer que lava a cabeça no fim do duche, limpa a cara depois, e que tem rugas na mesma, e lá vai o Dr. Oz para as calendas pregar, e eu poderei finalmente!! libertar este espaço na minha cabeça e ocupá-lo com coisas mais sadias.)

8 de novembro de 2017

TODA A VERDADE SOBRE A UVA PASSA

"Anos antes fora uma rapariga que se sentia perdida, isso sim. As esperanças da juventude pareciam já todas mortas, tinha a impressão de decair para trás, na direcção da minha mãe, da minha avó, na cadeia de mulheres sem voz ou irascíveis de quem descendia. Oportunidades perdidas. As ambições ainda eram ardentes e alimentadas pelo corpo jovem, por uma fantasia que somava um projecto a outro projecto, mas sentia que o meu frenesim criativo era cada vez mais isolado da realidade dos tráficos da universidade e pelos oportunismos de uma possível carreira. Parecia-me prisioneira dentro da minha própria cabeça, sem possibilidade de me por à prova, e estava exasperada."

Elena Ferrante in Crónicas de um mal de amor (A Filha Obscura), pág. 336